Sentados nas cadeiras do quiosque. Pedimos uma travessinha de batatas fritas. R$ 15? Absurdo.
Vamos do outro lado da rua pedir um bolinho de aipim. Frio, borrachento, mas já era tarde (e foi R$ 2).
Conversa vai, conversa vem.
Sabe como é praia né? Sempre tem um vendedor de alguma coisa. Passa o cara segurando uns quadrinhos. Pintados à mão. Bonitos até.
- Compra moça só R$ 15 cada um tô desempregado minha mulher que pinta os quadros pra me ajudar e eu venho vender que ela não pode sair de casa e a gente precisa sustentar a família sabe como é o dinheiro é pouco e não dá pra comprar muita coisa mas eu preciso mesmo vender e-
- Desculpa moço, eu não tenho.
E todo mundo da mesa consentiu com o ombro. Afinal, R$ 15 valia uma tabuinha de batatinhas.
Os olhos do moço voltaram-se para cima da mesa onde encontrava-se o isqueiro de Rafael, namorado de Nana, daqueles bonitões parecidos com o da Zippo.
- Me dá fogo aí então?
Tipo…não deram nada, pelo menos fogo!
Rafael fico meio assim, meio assado. Mas deu. Ia acender pra ele mas o moço preferiu arrancar da mão dele e tentar sozinho. A mesa inteira volto sua atenção para o moço, agora de costas para todos nós, tentando acender o cigarro contra o vento. Ninguém piscava pois o moço começou a dar uns passos pra longe da gente, como se o vento de lá fosse diferente do dali. Nos entreolhamos como uma confirmação de que se o cara desse mais um passo, alguém deveria dar-lhe uma voadora, só pela garantia.
Mas o cara para, desencurva-se, vira de frente, devolve o isqueiro e vai embora.
De roxo, prendendo a respiração, todos nós retornamos à pigmentação original.
Afinal, nós estávamos ali só pela batatinha, ora essa.