A Empresa e tudo com o que ela começou é do meu pai. Consequentemente, dize-se que também é minha. Inclusive o frigobar inicial, que era a GELADEIRA da empresa, essencial para que o santo almoço ainda fosse servido todos os dias.
A Empresa mudou de local e encheu-se de funcionários, como toda empresa deve crescer. Isso pediu um aumento da nossa ‘geladeira’, devido à demanda de mais estômagos pedindo por comida por volta do meio-dia. Foi providenciada uma ‘nova’, que, na verdade era usada e feia, (não uma BRASTEMP, mas ao menos cabiam mais coisas) o velho frigobar do papai ficou semi-abandonado.
Com meus direitos de filha, fui reivindicar a posse silenciosamente: roubei meu próprio frigobar da cozinha e o arrastei até o meu setor, com o consenso de todos que poderiam alcançá-la a menos de três passos, diferente da geladeira ‘nova’, que ficava do outro lado do andar.
Não deu nem um piscar de olhos do pseudo-crime, já senti outros setores me condenando como o olhar, como se fosse o frigobar-prometido-em-casamento-sendo-roubado-pelo-bandido.
Como só faço meio-período, só fico sabendo das fofocas da tarde no outro dia.
No outro dia, chega aos meus ouvidos que uma certa pessoa pata-bovina (mais conhecido como mão-de-vaca) teve a audááááácia de levar a chefia a seguinte questão:
- Este frigobar está gastando energia à toa! Não tem nada dentro dele pra ficar ligado o dia inteiro….
Não que ela não tivesse arreganhado a coitada da porta do frigobarzinho pra ver que a gente já tinha providenciado várias guloseimas e comestíveis não-saudáveis para encher os olhos de quem fosse futricar lá dentro. Não, que isso. Não que uma das pessoas do setor dela já tivesse ido lá fofocar em voz bem alta que a gente já tinha levado o frigobar depois que a geladeira chegou.
Mais uma dessa e eu ia propor trocar o ar-condicionado dela pelo meu frigobar. Porque enquanto a gente fica torrando no verão, querendo ir trabalhar pelado, sem constrangimento algum, ela ta lá, de luva e gorro, curtindo, dando tapa na cara do sol no meio-dia. A não ser que ela quisesse desligar os dois. Aí sim, sem docinho pra ninguém.