Fogo!

Janeiro 30, 2009

Sentados nas cadeiras do quiosque. Pedimos uma travessinha de batatas fritas. R$ 15? Absurdo.
Vamos do outro lado da rua pedir um bolinho de aipim. Frio, borrachento, mas já era tarde (e foi R$ 2).

Conversa vai, conversa vem.
Sabe como é praia né? Sempre tem um vendedor de alguma coisa. Passa o cara segurando uns quadrinhos. Pintados à mão. Bonitos até.

- Compra moça R$ 15 cada um tô desempregado minha mulher que pinta os quadros pra me ajudar e eu venho vender que ela não pode sair de casa e a gente precisa sustentar a família sabe como é o dinheiro é pouco e não dá pra comprar muita coisa mas eu preciso mesmo vender e-
- Desculpa moço, eu não tenho.

E todo mundo da mesa consentiu com o ombro. Afinal, R$ 15 valia uma tabuinha de batatinhas.
Os olhos do moço voltaram-se para cima da mesa onde encontrava-se o isqueiro de Rafael, namorado de Nana, daqueles bonitões parecidos com o da Zippo.

- Me dá fogo aí então?
Tipo…não deram nada, pelo menos fogo!

Rafael fico meio assim, meio assado. Mas deu. Ia acender pra ele mas o moço preferiu arrancar da mão dele e tentar sozinho. A mesa inteira volto sua atenção para o moço, agora de costas para todos nós, tentando acender o cigarro contra o vento. Ninguém piscava pois o moço começou a dar uns passos pra longe da gente, como se o vento de lá fosse diferente do dali. Nos entreolhamos como uma confirmação de que se o cara desse mais um passo, alguém deveria dar-lhe uma voadora, só pela garantia.

Mas o cara para, desencurva-se, vira de frente, devolve o isqueiro e vai embora.
De roxo, prendendo a respiração, todos nós retornamos à pigmentação original.
Afinal, nós estávamos ali só pela batatinha, ora essa.


Chiquitita

Novembro 25, 2008

- Alô?
Xpóf! – Onomatopéia para desligando bem na cara da pessoa.
- Será que era ela? Será será?

~

Na escola várias pessoas em volta da pequena garotinha, fofinha até, japonesinha, cabelo lisinho preto. Mas por que tinha tanta gente em volta dessa menininha?
- Você não vai acreditar! Ela é prima da Vivi!
- Que vivi!?
- Das chiquititas, cara!

Meoldeols. Chiquititas era o auge do sucesso na época. Gelei por dentro.
Eu ia lá, eu ia. Esperei esvaziar.

- E aí? Como você se chama?
- (Disso eu não me lembro, tá querendo de mais)
- Bonito nome… é verdade que você é prima da atriz que faz a Vivi da novela?
- Sim…
- OMG -E você tem o telefone dela? Preciso falar uma coisa pra ela… (Ah, ninguém deve ter pensado nisso ou só a minha cara era pura falta de óleo de peroba mesmo)
- Tenho sim…
- Anota aqui no papel.

Ela me deu o papel e saiu.
Eu tinha dois problemas: não sabia o nome verdadeiro da atriz e a prima dela fez o favor de escrever 6 números no papel (na época os números de telefone tinham só 7 dígitos, como 312-3456). Mas não foi muito difícil pois pelo menos o tracinho ela pôs no lugar certo, então via-se que faltava apenas o primeiro número, que podia ser 2 ou 3, o resto era improvável.

Cheguei em casa. Tremia. Disca-disca-disca.

- Alô?
- Alô.
- O que deseja?
- …
- Alô.

Xpóf.
Será?


Patavinas

Agosto 18, 2008

Aula de técnicas de cozinha. Professora:

-… então quando subir as impurezas, você tem que escumar {de escumadeira}…
Voz ao fundo:
- Ahn?
Mulher-que-se-acha-nerd com todo desdém que houver nessa vida:
- Espumar gente, fazer espuma!
Logo me adiantei, empolgada pra corrigi-la:
- Não é PU é !
Claro… bela correção Nicoly.

~

Indo pro trabalho. Chuviscando. Até parece que eu vou correr, o Fantástico provou que correndo você se molha mais. Há!
Homem passando por mim, apreensivo em dizer alguma coisa. Olhei pra ele.
Ele me diz:

- Aperta o pau*gelei* – que se não você vai pegar chuva…

Tanta coisa pra dizer…tanta metáfora…e vem me dizer pra… Oo